terça-feira, 14 de abril de 2015

Busca Por Sinais de Tecnologia Alienígena em 100.000 Galáxias Não Encontra Nada Decisivo [Artigo]

Depois de procurarem por sinais de civilizações alienígenas avançadas em mais de 100 mil galáxias, uma equipe de cientistas, que usou observações do satélite espacial WISE disseram não ter encontrado evidências claras destas civilizações em nenhuma das galáxias pesquisadas.

"A ideia que sustentava nossa pesquisa era de que, se uma galáxia inteira houvesse sido colonizada por uma civilização alienígena ultra avançada, a energia produzida por esta civilização poderia ser detectada em ondas de infravermelho médio", disse Jason Wright, Professor assistente de astronomia e astrofísica do Centro Para Exoplanetas e Mundos Habitáveis da Universidade Penn State. Jason foi quem concebeu e iniciou a pesquisa.

Na imagem abaixo, nossa galáxia vizinha (Andrômeda) brilha em infravermelho médio. As áreas laranja indicam locais onde há emanações mais fortes desta radiação, mas claramente gerada por estrelas. Foram imagens como esta que a equipe usou na sua busca por tecnologia alienígena.
Hipernovas: Busca Por Sinais de Tecnologia Alienígena em 100.000 Galáxias Não Encontra Nada Decisivo [Artigo]


A primeira publicação da equipe sobre a Vigilância de Calor Emanado por Tecnologias Alienígenas (G-HAT), ocorrerá na edição de 15 de abril deste ano, na Astrophysical Journal Supplement Series, juntamente com outras descobertas da mesma equipe sobre alguns fenômenos misteriosos envolvendo a nossa Via-Láctea.

"Quando uma civilização alienígena usa vastas quantidades de energia das estrelas de sua galáxia para alimentar computadores, voos espaciais, comunicações ou coisas que ainda não somos capazes de imaginar, as leis fundamentais da termodinâmica nos contam que parte desta energia deve ser irradiada pelo espaço em ondas de infravermelho médio", Disse Wright. É o mesmo princípio que faz com que seu computador irradie calor quando está ligado".

O físico teórico Freeman Dyson propôs, em 1960, que civilizações avançadas poderia ser detectadas pelas ondas de infravermelho médio que estas emanavam através de suas tecnologias. No entanto, mesmo com um telescópio altamente sensível a esta radiação como o WISE, nada de óbvio fora detectado.

Por outro lado, Robert Griffith, tambem da Penn State, disse: "Dentre 100 mil, nós separamos 50 galáxias que apresentam um nível acima do normal em emissão de radiação infravermelha. Elas serão acompanhadas em maiores detalhes e talvez nossos estudos possam no contar se este brilho acima do normal, em infravermelho, nestas galáxias são de origem natural ou se são produzidos por tecnologia alienígena ultra avançada", disse Wright.

De qualquer forma, acrescentou Wright, a não detecção de nenhum sinal óbvio de civilizações alienígenas nas 100 mil galáxias pesquisadas é um resultado científico interessante. "Nossos resultados mostram que das galáxias pesquisadas, nenhuma está largamente populada por uma civilização que se utilize da maior parte da energia produzida pelas estrelas destas galáxias. A parte interessante é que estas galáxias têm vários bilhões de anos, tempo mais que suficiente para que estivessem cheias destas civilizações, se estas existissem. Civilizações ainda podem estar lá, mas como a nossa, não atingiram tal grau de evolução para se tornarem visíveis aos nossos telescópios", disse Wright.

"Esta pesquisa é um claro avanço nos nossos conhecimentos nesta área", disse Brendan Mullan, diretora do Planetário Buhl, no Centro de Ciências de Carnegie em Pittsburg e membro da equipe G-HAT. "Estudos prévios neste sentido abarcavam cerca de 100 galáxias e não procuravam por este brilho em infravermelho".

Entre as descobertas feitas com relação à nossa própria galáxia, estão uma brilhante nebulosa em volta da estrela 48 Librae e uma aglomeração de objetos facilmente detectados pelo WISE em uma parte do céu que aparece totalmente vazia quando vista por telescópios ópticos. "Este aglomerado é provavelmente formado por um grupo de estrelas jovens que se formaram nas entranhas de uma nuvem molecular que ainda não havia sido descoberta. Já a nebulosa em torno da 48 Librae provavelmente se deve a uma imensa nuvem de poeira em volta da estrela, mas ambos estes casos merecem ser melhor estudados", disse Matthew Povich, professor de astronomia assistente e co investigador do projeto G-HAT.
Imagem em falsa cor em infravermelho médio da nebulosa em torno da estrela 48 Librae. Esta nebulosa foi descoberta pela equipe G-HAT enquanto procurava por sinais de aquecimento gerado por civilizações alienígenas. Esta nebulosa é invisível quando vista através de instrumentos que se utilizam de luz visível. 

"A partir do momento que passamos a olhar com mais cuidado para estas galáxias", disse Wright, "Devemos estar preparados para detectar sinais muito mais tênues do que pensamos detectar em um primeiro momento, temos de aumentar a sensibilidade de nossos equipamentos. Temos que melhorar também no que diz respeito a distinguir o que pode estar gerando estas radiações, se são causas astronômicas naturais ou realmente sinais de tecnologias alienígenas. Estamos só no começo desta excitante aventura".

Traduzido de: www.phys.org