quinta-feira, 16 de abril de 2015

Humanos Não Conseguem Resistir aos Olhares de Seus Cães [Artigo]

Quando humanos e seus amigos peludos de quatro patas olham-se nos olhos uns dos outros, algo acontece. Há evidências biológicas que dizem que suas ligações se fortalecem, pesquisadores afirmam.

Ocitocina - A droga do amor - Ou ainda o mesmo hormônio responsável por manter as mamães sempre apaixonadas pelos seus filhos, por exemplo, aumenta de nível tanto em humanos, quanto nos cães, quando ambos mantêm contato olho a olho, descobriram cientistas.

"Certamente, pessoas que dizem que seus cães são parte da família estão provavelmente corretas", disse Dr. Greg Nelson, diretor do centro de cirurgia e diagnose por imagem da Central de Veterinários Associados em Valley Stream, Nova York. "Um cão não é só um animal que convive conosco em troca de proteção e alimento. Pelo contrário, eles mantêm uma relação mais parecida como a de pais e filhos mesmo", acrescentou.
Hipernovas: Humanos Não Conseguem Resistir aos Olhares de Seus Cães [Artigo]


Em uma série de experimentos, pesquisadores notaram que um "biofeedback loop" parece existir entre cães e humanos, onde um aumento nos níveis de ocitocina em um deflagra aumentos nos níveis no outro. A descoberta será publicada na próxima edição da Science, de 17 de abril.

"Humanos evoluíram para usar ferramentas de comunicação especificamente humanas como o olhar fixo", disse o co-autor do estudo, Dr. Takefumi Kikusui, veterinário e pesquisador do departamento de ciência e biotecnologia animal na Universidade Azabu em Kinagawa, Japão. "O olhar fixo acaba por funcionar tal como o toque ou o abraço. O ponto chave é que os cães podem mostrar esta mesma habilidade para conosco, os humanos", acrescentou Kikusui.

No primeiro experimento, cães e seus donos interagiram por 30 minutos. Aqueles que passaram mais tempo olhando-se nos olhos, mostraram concentrações de ocitocina mais altas em suas urinas colhidas posteriormente ao experimento.

Humanos e cães que participaram do mesmo experimento e não tiveram significativas trocas de olhares não mostraram elevações nos níveis de ocitocina. Fato observado também, foi que donos que mantiveram maior contato visual com seus cães, tocaram-nos  e falaram mais com os mesmos.

Já no segundo experimento, pesquisadores borrifaram ocitocina nas narinas de 27 cães e os deixaram em uma sala com seus donos e mais dois estranhos. Foi observado que as fêmeas passaram um tempo maior olhando para seus donos, que também experimentaram um aumento nos níveis do hormônio.

Quando o mesmo experimento foi feito com lobos domesticados e seus donos, não houve aumento nos níveis de ocitocina, mesmo quando mantinham contato visual. Lobos claramente vêem contato visual como ameaça e procuram evitar contato olho a olho com humanos, conclui o estudo.

"Cães evoluíram como companheiros dos homens nos últimos 12.000 anos", disse o Dr. Adam Malcolm, veterinário do Hospital Animal Big Hollow Companion. "Não me surpreende que os dois: Humanos e cães compartilhem um feedback fisiológico de ocitocina", acrescentou.

De fato, estes estudos dão suporte à pesquisas passadas que demonstraram que cães exibem um comportamento subconsciente similar ao dos humanos, quando estes olham nos olhos de outros humanos, concluiu Malcolm.

"Cães são a única espécie de animais domésticos que exibem o "fenômeno do relance esquerdo", um movimento subconsciente que faz com que os olhos se movam para o aspecto direito do rosto da outra pessoa, quando estas estão mantendo uma conversação", Explicou Malcolm. "Está estabelecido cientificamente, que a parte direita da face dos humanos é mais expressiva na comunicação não verbal que a esquerda, por esta razão, os olhos, subconscientemente se voltam para a parte direita da face", acrescentou Malcolm.

"Embora lobos não produzam estímulos que levem ao aumento nos níveis de ocitocina em seus donos, se gatos olham fixamente para seus donos, é possível que aconteça", disse Kikusui.

"A ocitocina é produzida no hipotálamo e assume papel fundamental em uma vasta gama de comportamentos", disse Dr. Alan Manevitz, psiquiatra do Hospital Lenox Hill em Nova York. "Tais comportamentos incluem orgasmo, ligações afetivas, ansiedade, comportamentos maternos, ligação maternal, lactação e possivelmente até ajudando a curar ferimentos e lesões", acrescentou Manevitz.

A liberação de ocitocina em uma relação social positiva, seja entre humanos ou entre humanos e animais promove potencial para uma ligação ainda mais positiva. Isto pode ser parte de mecanismos biológicos que suportem o uso de cães em terapias que façam com que indivíduos se sintam menos ansiosos e tenham por conseguinte, uma melhor qualidade de vida, portanto, é sim uma ótima ideia ter um cão. Então por que não pensar em adotar um?