domingo, 24 de maio de 2015

Novo Estudo Sugere Que Uso Prolongado de Paracetamol Por Gestantes Pode Prejudicar o Desenvolvimento de Bebês do Sexo Masculino [Artigo]

Uma nova pesquisa publicada no dia 20 deste mês, no portal Journal Science Translational Medicine, sugere que o uso regular de paracetamol por mulheres grávidas durante alguns dias pode contribuir para o aparecimento de desordens reprodutivas em bebês do sexo masculino.

O paracetamol é tido como uma das opções mais seguras para aliviar dores em mulheres gestantes, mas resultados recentes sugerem que o uso regular da droga por uma semana pode reduzir a produção de testosterona em até 45%.
Hipernovas: Novo Estudo Sugere Que Uso Prolongado de Paracetamol Por Gestantes Pode Prejudicar o Desenvolvimento de Bebês do Sexo Masculino [Artigo]


"Este estudo vem dar suporte a outras evidências que mostram a mesma coisa com relação ao uso prolongado da droga por mulheres gestantes", afirma Rod Mitchell, endocrinologista na Universidade de Edimburgo, Grã-Bretanha, para uma publicação da Science Daily. "É muito prudente que orientemos as mulheres grávidas para que usem as menores doses da droga pelo menor tempo possível", acrescentou.

Uma produção de testosterona contínua é crucial para o desenvolvimento sadio dos órgãos reprodutivos de bebês do sexo masculino, visto que estudos anteriores mostraram fortes ligações com exposição reduzida à testosterona no útero com surgimento de desordens como infertilidade, câncer testicular e testículos que não descem.

Para chegar a estes resultados, a equipe implantou em camundongos, tecido testicular fetal humano. Tais tecidos foram preparados para imitar o desenvolvimento testicular em bebês pós nascimento. Os pesquisadores deram aos camundongos três doses de paracetamol por dia durante 24 horas e durante uma semana.

Os camundongos que foram submetidos à doses de paracetamol por apenas 24 horas não mostraram efeitos colaterais, mas os que foram submetidos à doses da droga por uma semana mostraram uma redução 45% na testosterona presente em seus enxertos.

É óbvio que os resultados são limitados, pois não foram conduzidos em humanos e podem não refletir os processos que ocorrem em um feto humano em desenvolvimento no útero. No entanto, um outro estudo de 2010 também havia encontrado ligação entre o aparecimento da desordem dos testículos que não descem e o uso de analgésicos durante a gravidez depois de observadas as gestações de 2.000 mulheres, então não há dúvidas de que há bastante evidências que pedem um aprofundamento sério no assunto.

Isto não significa que mulheres grávidas não devam usar a droga, de fato, há momentos em que usar paracetamol pode ser a melhor opção para o bebê.

"O estudo só tira o mérito do medicamento quando usado por muitos dias", disse Martin Ward-Platt, da Royal College of Paediatrics and Child Health, também na Grã-Bretanha. Martin, que não estava envolvido neste estudo disse ainda: "Febre durante a gravidez pode ser muito grave para o desenvolvimento do feto. A condição é ligada ao aparecimento da má formação conhecida como espinha bífida e também com má formações do coração, então, pequenas doses de paracetamol, às vezes se fazem necessárias".

Os pesquisadores agora procuram pela quantidade e duração exata de administração de paracetamol que levem à redução da produção de testosterona nos testículos em desenvolvimento, com o objetivo de fornecer orientações mais seguras e claras às nossas futuras mamães.

Hipernovas via: www.sciencealert.com