sexta-feira, 26 de junho de 2015

O Que Aconteceria se a Terra se Desprendesse da Gravidade do Sol e Seguisse Errante Pelo Espaço? [Artigo]

Já tentou imaginar como as coisas mudariam radicalmente, se por acaso a Terra se desprendesse da gravidade do Sol ou fosse arrastada para o espaço exterior por uma força desconhecida, como por exemplo, no caso de uma civilização super avançada, que desejasse realizar um experimento para ver quanto tempo levaria para a Terra deixar de ser um planeta cheio de calor e vida até se tornar um mundo gelado e morto?

Tenha em mente que uma civilização milhares, milhões ou bilhões de anos à nossa frente provavelmente nos veria como nós vemos ratos de laboratório e é bem conhecido o fato de que nós fazemos todo tipo de experiências com estes animais, portanto, nada impediria que seres super evoluídos adotassem os mesmos parâmetros que nós adotamos. No entanto, para a nossa sorte, não há a mínima possibilidade de isto acontecer, não contando com os conhecimentos aos quais temos acesso atualmente, mas não deixa de ser um belo exercício mental pensar um pouco sobre este fabuloso cenário (hipotético) apocalíptico, então vamos começar:
Hipernovas: O Que Aconteceria se a Terra se Desprendesse da Gravidade do Sol e Seguisse Errante Pelo Espaço? [Artigo]


Durante o primeiro ou segundo dia após a Terra ter iniciado seu processo de desprendimento da gravidade do Sol, as coisas não mudariam muito, exceto pelo fato das temperaturas começarem a cair a nível global. Nossas cidades continuariam sadias, nossos supermercados ainda estariam abastecidos, água ainda sairia das torneiras, aviões comerciais ainda cortariam os nossos céus e ruas e avenidas ainda exibiriam tráfegos pesados no horário do rush... Ainda.

Mas logo, logo, as coisas começariam a mudar. As pessoas olhariam para o céu e notariam um Sol cada vez mais fraco e distante. Sua luz não é mais tão forte a ponto de fornecer calor suficiente para manter temperaturas às quais estamos acostumados. Sua intensidade já não é suficiente para que as plantas possam realizar fotossíntese e as que necessitam de mais luz solar começam a morrer. Os humanos começam a ver os últimos representantes de hortaliças e legumes, vêem as últimas frutas frescas caírem das árvores. Tais árvores jamais florescerão novamente.

Nossa atmosfera esfria rápido, mesmo em lugares que antes exibiam verões quentes e úmidos. A neve começa a cair globalmente.

Dentro de algumas poucas semanas todo o planeta estará tingido de branco, coberto por uma grossa camada de neve. Rios e lagos começarão a congelar e as temperaturas do lado de fora das casas estará inacreditavelmente fria.

Nos trópicos e equador, milhões de pessoas começarão a morrer por causa do frio (pobreza e falha de ajuda governamental para estas pessoas só agravará o problema). Por outro lado, pessoas que vivem em zonas mais frias, áreas próximas às dos polos, estarão mais protegidas e poderão viver por um pouco mais de tempo, se tiverem sabido, com antecedência, o que lhes esperava. Dá para imaginar as pessoas se mobilizando nestes lugares, afim de construir abrigos subterrâneos e seus esforços para estocar alimentos e sementes para tentar prolongar suas vidas ao máximo.

Os humanos que ainda estiverem vivos começarão a testemunhar padrões climáticos bizarros. Continentes continuarão seu processo de resfriamento, devido à perda de calor através da irradiação, mas o oceanos ainda teriam uma imensa reserva de calor armazenado em sua águas. Sobreviventes veriam estranhos padrões climáticos ao testemunhar tempestades formadas por ar quente e úmido vindo dos oceanos, causando fortíssimas nevascas  nos continentes.

A Terra continuaria girar, mas o Sol que nasceria e se poria, pouca diferença faria entre o dia e a noite. A única diferença de temperatura na Terra seria observada entre a temperatura dos continentes gelados e dos oceanos ainda quentes.

Mas poucos meses após a tragédia, oceanos também começariam a congelar, provavelmente, primeiro próximo às praias, mas depois se estenderia até altos mares, selando definitivamente a água ainda quente dos oceanos debaixo de metros de gelo compacto. A superfície, é claro, continua a esfriar sem impedimentos.

Passados mais alguns meses, quando temperaturas globais facilmente chegariam abaixo de 80°C, dióxido de carbono poderia precipitar-se ao chão, em forma de uma fina chuva. Conforme este, que é um gás do efeito estufa, for sendo retirado da atmosfera, o processo de esfriamento da Terra só ficará mais e mais rápido.

Cadáveres de animais e humanos jazem debaixo de metros de neve. Mesmo humanos equipados com pesadas vestimentas anti-frio. A esta altura, nenhuma criatura, seja humana ou animal será vista viva na superfície. Tudo estará morto e congelado, para sempre.

Debaixo de uma grossa camada de gelo, os oceanos ainda constituem um habitat propicio à vida, mas não para plantas dependentes da luz solar. Estas, há muito tempo morreram, desde os primeiros dias nos quais o Sol começou a enfraquecer. Aqui, a vida ainda floresce, próxima a fontes hidrotermais.

Nestes tempos, a raça humana ainda pode ter alguns representantes vivos. São os que puderam construir abrigos adequados, astronautas em uma estação espacial ou tripulantes de grandes submarinos nucleares, mas quanto tempo humanos conseguiriam viver nestas condições?

Tripulantes da estação espacial ou de submarinos nucleares não muito. Mas se uma população de humanos suficientemente grande, do tamanho de uma cidade de tamanho médio, tivesse tido a habilidade de construir um grande abrigo, equipado com um eficiente sistema nuclear de abastecimento elétrico, grandes estufas para produção de alimentos e manutenção da tecnologia atual, talvez pudessem sobreviver por um longo tempo.

No entanto, é virtualmente impossível construir tais estruturas em tão pouco espaço de tempo. O mais provável é que a maioria das pessoas que estivessem em abrigos já tivessem morrido conforme o estoque de comida acabasse ou o sistema de abastecimento elétrico esgotasse seu combustível.

E este seria o fim. Se algum ser visitasse a Terra após um ano ou dois do começo da catástrofe, este veria a Terra como uma imensa bola de gelo quase que totalmente morta.
Europa é uma das quatro grandes luas de Júpiter, a qual suspeita-se abrigar um imenso oceano de água salgada debaixo de sua crosta de gelo de 100 km de espessura. A Terra sem o Sol poderia se assemelhar muito, em aparência, a esta lua de Júpiter.

A bola de gelo continuaria a esfriar até que, eventualmente, o nitrogênio e o oxigênio que fazem parte de nossa atmosfera congelassem e caíssem como chuva ou neve na superfície. Poderia levar décadas para que este processo começasse, até que a Terra atingisse cerca de 200°C negativos.

Mas no que tange à vida, este evento pouco importaria. A única vida que ainda restaria por aqui seria aquela escondida debaixo de uma grossa camada de gelo, residindo nas profundezas dos oceanos, habitante de águas desprovidas de qualquer luz, aquecidas somente pelo calor de fontes hidrotermais.

Referência: http://www.quora.com/What-would-happen-if-we-were-to-drag-the-Earth-away-from-the-Solar-System