sábado, 11 de julho de 2015

Como Ficarão a Terra e a Humanidade Daqui a 50.000 Anos? [Artigo]

Predizer o futuro da Terra é algo como prever o tempo: Quanto mais tentamos "ver" à frente, mais corremos o risco de errar na previsão. Baseado nesta lógica, parece até impossível tentar olhar para 50.000 anos à frente com alguma chance de acertar. Felizmente, a Terra tem 4,5 bilhões de anos de história, de onde podemos extrair lições valiosas.
Hipernovas: Como Ficarão a Terra e a Humanidade Daqui a 50.000 Anos? [Artigo]

Quando se considera a história da Terra em uma escala geológica, podemos contar com certos processos inexoráveis tais como evolução, extinções, placas tectônicas e mudanças climáticas, por exemplo. Tais processos continuarão a exercer papel fundamental em como nosso planeta mudará daqui há muitos milênios ou milhões de anos à frente.

Levaremos tais processos em consideração para tentar predizer como nós e a Terra estaremos daqui a 50 milênios.

Em primeiro lugar, a Terra é um planeta que gira em torno de seu eixo (rotação) e descreve uma órbita ao redor do Sol (translação) e estes movimentos ditam quais espécies podem existir e onde elas devem existir, mas a Terra não gira apenas em torno do seu eixo, ela também "balança" enquanto gira, tal qual um pião. Cientistas chamam tal movimento de precessão, que faz com que o eixo de rotação da Terra aponte para diferentes partes do céu num ciclo que dura 26.000 anos.

Neste exato momento, o eixo da Terra aponta diretamente para a estrela Polaris - A estrela do norte ou estrela polar, mas daqui há 13.000 anos, o eixo de rotação de nosso planeta não apontará mais para Polaris e sim para a estrela Vega, a qual receberá então o título de estrela do norte, ou polar. Em 50.000 anos, a Terra completará dois ciclos de precessão, o que implica que seu eixo apontará exatamente para onde está apontando hoje.

Algumas das mudanças mais dramáticas que afetam nosso planeta são causadas por aberrações na órbita da Terra e inclinações do seu eixo de rotação. Durante um ciclo que dura 97.000 anos, a órbita da Terra em torno do Sol muda de quase circular para uma órbita mais elíptica. Ao mesmo tempo, a inclinação do eixo da Terra sofre variação de alguns graus, indo de uma inclinação de 22.1 até 24,5°. O efeito combinado destes dois movimentos têm um profundo impacto sobre a quantidade energia solar chega ao planeta.

Quando a posição da Terra, a inclinação de seu eixo e sua precessão estão em uma combinação perfeita, a Terra entra em uma era do gelo - Uma época de extremo frio, na qual as calotas polares crescem a ponto de invadir os continentes. Historicamente, idades do gelo duram cerca de 100.000 anos, com intervalos mais quentes que costumam durar cerca de 10.000 anos entre tais eras.

A Terra está atualmente experimentando uma fase entre duas idades do gelo, mas eventualmente irá entrar em outra era do gelo. Muitos cientistas concordam que a próxima idade do gelo prevista para a Terra terá seu máximo daqui há 80.000 anos, então daqui há 50.000 anos a Terra provavelmente será um planeta muito mais frio, com calotas polares chegando a atingir áreas como o sul ou mesmo sudeste do Brasil.

Mas e o aquecimento global? Bom, iremos falar sobre isso na sequência.

Com quanto o aquecimento global poderia contribuir num cenário de idade do gelo em nosso futuro? Bom, a longo prazo, não muito, mas em curto prazo o aquecimento global pode mudar o mundo de forma drástica. Infelizmente, para nossos descendentes, os efeitos mais devastadores do aquecimento global tomarão seu lugar na Terra daqui a 200 anos, por volta do ano de 2.200. Nesta época, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera estará mais alta do que jamais esteve desde 650.000 atrás.

O dióxido de carbono na atmosfera irá impedir que a radiação solar que atinge a Terra seja refletida para o espaço, ajudando a aquecer ainda mais o planeta. Conforme as temperaturas forem subindo, mesmo que apenas poucos graus, geleiras irão derreter, o nível dos oceanos subirá e inundações assolarão as costas continentais.

Os oceanos também ficarão mais quentes e ácidos, o que causará o colapso global de recifes de coral e com o desaparecimento dos recifes, muitas espécies marinhas também encontrarão seu fim, mas elas não estarão sozinhas. Em terra, um quarto de todas as espécies de seres vivos deverão desaparecer para sempre.

Será um tempo muito difícil para a Terra e seus habitantes, o que nos faz imaginar que as coisas não poderiam ficar piores. Infelizmente, se a história de 4,5 bilhões de anos da Terra nos ensina algo é que grandes desastres e grandes extinções em massa sempre ocorrerão, desde que determinados espaços de tempo sejam observados.

Em 50.000 anos, nós certamente testemunharemos alguma catástrofe de proporções épicas, a qual mudará para sempre nosso planeta. Tal catástrofe pode vir de um asteroide ou de um cometa que, ao atingir a Terra, poderá dar fim à vida como a conhecemos.

Astrônomos estimam que tais impactos catastróficos costumam ocorrer a cada um milhão de anos em média, então as probabilidades estão a nosso favor, pelo menos pelos próximos 50.000 anos.

Mas há um outro evento igualmente cataclísmico muito mais provável de acontecer e pode vir da nossa própria Terra: Os mesmos movimentos que fazem com que as placas tectônicas se movimentem, dando origem à forma dos continentes, também alimentam super vulcões que podem cuspir cinzas e poeira na atmosfera o suficiente para bloquear a luz do sol por 10 ou 15 anos (inverno vulcânico). Geologistas acreditam que tais vulcões costumam ocorrer a cada 50.000 anos, então as probabilidades aqui não estão a nosso favor.

Uma vez que tal vulcão acorde, todos os seres vivos que habitarem a Terra estarão sujeitos a desaparecer para sempre. O evento de extinção em massa mais famoso foi o que levou à extinção dos dinossauros no final do período cretáceo, mas tal evento não se compara a outro que ocorreu no fim do período permiano, há cerca de 251 milhões de anos atrás quando 90% das espécies aquáticas e 70% das espécies terrestres foram riscadas do mapa. Agora tente imaginar o que causou tamanha catástrofe? Isso mesmo. Um super vulcão, especificamente, a erupção dos Trapps Siberianos, que acabou por afetar o clima global.

Então qual a probabilidade de nós, humanos estarmos aqui para curtir nosso planeta daqui há 50.000 anos?

Quando consideramos que nossa espécie está aqui há apenas 100.000 anos e nossas civilizações mais duradouras só duraram por apenas 3.000 anos, não nos parece prudente deduzir que ainda seremos a espécie dominante daqui a muito tempo no futuro.

Nós evoluímos no passado, estamos evoluindo agora e continuaremos a evoluir no futuro. Pesquisadores estimam que nos últimos 100.000 anos, nós humanos evoluímos 100 vezes mais rápido que qualquer outra espécie neste planeta, então há grandes chances de que nós possamos acumular as mudanças necessárias para nos adaptarmos às condições que dominarão nosso planeta no futuro. Se sobrevivermos, uma coisa é certa: Daqui há 50.000 anos, não nos pareceremos nem um pouco com as pessoas que andam por este planeta nos dias de hoje.

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