terça-feira, 28 de julho de 2015

Por Que Nós vivemos na Terra e Não em Vênus? [Artigo]

Comparada com nossos vizinhos cósmicos (Vênus e Marte) a Terra é o lugar perfeito para o desenvolvimento da vida. Mas que condições levaram a vida a se desenvolver na Terra e não em Vênus? Agora, um novo estudo traz à luz um improvável caminho evolucionário, que permitiu que a Terra fosse a escolhida para sustentar a vida no Sistema Solar.
Hipernovas: Por Que Nós vivemos na Terra e Não em Vênus? [Artigo]


A pesquisa publicada esta semana na Nature Geoscience, sugere que a primeira crosta da Terra, a qual era rica em elementos radioativos como urânio e potássio, foi ejetada e se perdeu no espaço quando a Terra foi largamente bombardeada por cometas e asteroides nos primeiros momentos da sua história. Este fenômeno, conhecido como erosão de impacto, dá suporte à teoria sobre a evolução da Terra.

Pesquisadores das universidades de British Columbia e da Califórnia, disseram que a perda deste dois elementos determinaram a evolução das placas tectônicas, campo magnético e até mesmo do clima na Terra.

"Os eventos que definiram a formação e a composição da Terra governaram em parte, a história tectônica, climática e magnética do nosso planeta e todos trabalharam juntos para formar o mundo no qual vivemos hoje," disse Mark Jellinek, professor do departamento das ciências da Terra, Oceanos e Atmosfera, na Universidade British Columbia. "Foram estes eventos que potencialmente diferenciaram a Terra dos outros planetas," concluiu.

Na Terra, movimentos tectônicos causam o "capotamento" regular da superfície, que constantemente refresca o manto subjacente, mantém forte o campo magnético e ajuda na atividade vulcânica. Vulcões em erupção, lançam na atmosfera, gases do efeito estufa e erupções regulares ajudam a manter o nosso clima habitável, o que distingue a Terra dos outros planetas rochosos.

Vênus é muito similar à Terra em termos de tamanho, massa, densidade, gravidade e composição. Enquanto a Terra teve um clima estável e habitável ao longo das eras, Vênus passa por uma atual catástrofe climática, na qual uma espessa camada de dióxido de carbono faz com que a temperatura em sua superfície fique na casa dos 470°C.

Neste estudo, Jellinek e Matt Jackson, professor na Universidade da Califórnia, explicam por que os dois planetas evoluíram de forma tão diferente.

"A Terra poderia muito bem ter acabado como Vênus," disse Jellinek. "A diferença chave pode ter sido a quantidade de impactos sofridos pela Terra e por Vênus," concluiu.

Com menos erosão de impacto, Vênus esfriaria de forma imprevisível, com catastróficas mudanças na atividade vulcânica, o que levava a mudanças dramáticas no clima, as quais poderiam durar por bilhões de anos.

"Nós extrapolamos os efeitos da erosão de impacto à frente no tempo, o que nos permitiu enxergar que o efeito das condições que governam a composição inicial de um planeta, pode ter papel fundamental na evolução do mesmo. Foi uma incrível combinação de circunstâncias que fez a Terra como ela é hoje," completou Jellinek.

Referências:
1 - A. M. Jellinek, M. G. Jackson. Connections between the bulk composition, geodynamics and habitability of Earth. Nature Geoscience, 2015; DOI: 10.1038/ngeo2488
2 - http://www.sciencedaily.com/releases/2015/07/150721193957.htm